Dodekathlon (Concerto para tuba e ensemble de metais graves)

  • Compositor: Luis Carvalho
  • Ano de Composição: 2012
  • Categoria: Solista(s)
  • Solista: Tuba
  • Duração: 21:00
  • Instrumentação: Ensemble de Sopros
  • Dificuldade: 5
  • Mais Informações

Notas de Programa

Sugerida pelo grande virtuoso português da tuba Sérgio Carolino, a quem de resto é dedicada, Dodekathlon inspira-se no mito grego dos Doze Trabalhos de Héracles (ou Hércules, como é mais conhecido no mundo ocidental pós-Romano), o grande herói da Grécia Antiga. A tuba solo representa aqui, obviamente, o hercúleo herói, ao passo que o ensemble que acompanha personifica, em certa medida, o chorus coletivo da tradição clássica grega na arte dramática (teatro). Trata-se de um concerto concebido num único andamento, mas dividido em catorze secções claramente reconhecíveis, correspondendo a uma introdução (Intrada), os doze trabalhos propriamente ditos, e um Epilogo final.

Os Doze Trabalhos, cuja ordem exata varia consoante a fonte consultada, são:

  1. Estrangular o leão de Neméia (aqui simbolizado por música agressiva)
  2. Matar a Hidra de nove cabeças de Lerna (figurativamente representado por sequências de acordes de nove sons)
  3. Capturar a corça dourada de Cerinéia (a agilidade da corça aqui representada pelo eufónio solo, que contracena com a tuba solista num inquieto dueto de fuga-e-captura)
  4. Capturar o javali de Erimanto (música pesante)
  5. Limpar os estábulos do rei Aúgias (música nobre e pomposa)
  6. Matar as perigosas aves do lago Estínfalo (música misteriosa e volúvel)
  7. Capturar o touro de Creta (música feroz)
  8. Roubar as éguas de Diómedes (música contemplativa)
  9. Apoderar-se do cinturão mágico de Hipólita, a rainha das Amazonas (música fantástica)
  10. Apoderar-se do gado do monstro Gerião (música poderosa e de bravura)
  11. Roubar as maçãs douradas das Hespérides (música mística)
  12. Capturar Cérbero, o cão de três cabeças guardião do mundo dos mortos (inicialmente música nervosa/feroz, e no final música vitoriosa)

Não obstante estas linhas orientadoras, a minha música não é, de forma nenhuma, descritiva, apesar de certamente figurativa. Tentei capturar o espírito das sucessivas tarefas com que Héracles/Hércules se deparou mais do que descrevê-las propriamente, e nesse sentido esta é também, pode considerar-se, música abstrata. É minha profunda convicção que, mesmo quando influenciada por aspetos extra-musicais, a Música deve bastar-se a si própria como obra de arte. Na procura desse meu objetivo, apenas posso desejar que os ouvintes tenham tanto prazer em ouvir a minha música como tive eu a criá-la.

Uma palavra final de profundo apreço ao Sérgio Carolino, quer pelo seu apoio ao meu trabalho e ao de tantos outros compositores nacionais e estrangeiros actuais, quer pela amizade com que me brinda desde longa data.

Março/2012

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